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18/08/2011

Se é brasileiro, não presta!

Hoje vou falar de um dos assuntos que mais me incomoda. A imprestabilidade de tudo o que é brasileiro. Porque não valorizamos nossa cultura? Porque ouvimos mais Hip-Hop que MPB? Porque Gisele Bündchen não é mulata? Ou nossa segunda língua não é hispânica? Há alguma coisa de errado com tudo o que é brasileiro, porque se é brasileiro, não presta!

A própria literatura, por exemplo. Preferimos dar valor a livros internacionais, culpando as editoras de publicá-los em massa, deixando-nos poucas opções nacionais de leitura. Desculpinha esfarrapada essa né? Já pensou se deixássemos de procurar bem um marido porque a maioria dos homens são cafajestes? Pelo amor de Deus né? Por menos que seja a oferta, submetemo-nos a livros internacionais porque não valorizamos o que temos em casa. E aquele velho papo: “adoro ler livros estrangeiros porque me fazem viajar por lugares que nunca fui”. Jura? Vidas Secas de Graciliano Ramos, te levará ao sertão nordestino que aposto, a patricinha de São Paulo nunca viu.

Ainda no campo da literatura, me pergunto porque diminuímos tanto nosso potencia, para comprar coisas que deixaram de ser arte literária para serem produtos comercializáveis. Harry Potter, Crepúsculo... produtos feito para gerar lucro. Oh! Claro, não se vive sem dinheiro (entendo, não tiro meus pés do chão), mas e sem arte? E não sejamos hipócritas de dizer que não acontece, ouçam as músicas de hoje e as de antes da Revolução Industrial. Será, realmente, que nada mudou pra pior?

Será realmente que vale a pena por todo o valor cultural abaixo em prol de entretenimento? Sim porque, a maioria das pessoas que leem livros deste tipo, não leem para mais nada se não, passar o tempo. Vivendo como se a vida fosse uma batalha mediúnica contra o relógio, onde precisamos correr, fazendo com que o maior número de tempo seja passado o mais rápido possível. E depois, no final da vida, o que é que fica? Já li livros que me transformaram como pessoa, e não me refiro a autoajuda não, digo Olhais os Lírios do Campo de Érico Veríssimo. Ok, nem todo livro precisa ser uma obra-prima, mas precisamos mesmo de literatura comercial? Livros escritos em 6 meses.

Porque idolatrar tanto o que vem de fora, se lá fora o Brasil é mais respeitado que aqui dentro? Não há mal em nos deixarmos influenciar por novas culturas, o importante é crescer, evoluir, mas não perder nossas características principais. Dizer que curte rock e só ouvir Iron Maiden, Audioslave, Deep Purple Kiss e o caramba, não é ser roqueiro, é ser bajulador de estrangeiro. Porque não ouve Angra, Pitty, CPM22, Charlie Brown Jr , Capital Inicial, Skank? Ou pelo menos rock latino? O rock argentino é um dos melhores do mundo, mas se quer ouvimos nas rádios.

Até a moda brasileira está em baixa no Brasil, veja os desfiles do Fashion Week.  Enquanto lá fora, se veste cada vez mais abrasileirado, aqui agente quer americanizar. Estes dias li uma frase de Armoni que dizia que no exterior, o Brasil é visto como um país sensual, que exalta a beleza, e é esse valor que o consumidor europeu procura quando compra a etiqueta Made in Brazil. E isto não é só com livros, música e moda... vejam o comportamento, a cultura, os filmes, o padrão de beleza e até o que um povo tem de maior valor: sua língua. Há alguma coisa de errado com tudo o que é brasileiro, porque se é brasileiro, não presta!

Por: Um Lugar Escuro.
CONTATO: umlugarescuro@gmail.com

Blogs que co-relacionaram este link: 
amorporclassico.blogspot.com 
www.cacholaliteraria.blogspot.com

10/08/2011

Beleza ou Inteligência

(tá explicado porque balada pra mulher gata é de graça)
 

 Após debater sobre este tema, percebi que muitas pessoas - e só não acuso-as de serem a maioria por falta de dados quantitativos - associam a beleza à ignorância e a feiura a inteligência. Pois bem, esse é o tema de hoje: será a "burrice" pré-requisito da beleza? Sinceramente, não acredito nisso, creio que seja ingenuidade pensar que uma pessoa desenvolve menos os neurônios porque nasceu com uma aparência considerada bela perante sua sociedade. O que me parece mais plausível entretanto, é o fato de as pessoas feias terem uma necessidade maior de serem inteligentes.

Acompanhem meu raciocínio: Temos discutido nos post anteriores que a beleza realmente facilita a entrada por algumas portas. Principalmente para as mulheres que sabem explorá-la e não tem vergonha disso. Vamos a um exemplo prático. Aquela aluninha linda que se veste muito bem e que fica depois da aula todos os dias com o professor, "estudando" sempre se dá bem nas provas (exceto nas matérias cujos professores são mulheres). Uma pessoa feia já não teria essa possibilidade, ou ela estudaria pra valer ou seria reprovada. Pois bem, isso e apenas um exemplo e como tal não se aplica em todas as circunstancias. Mas creio que ficou claro, mais uma vez, a utilidade da beleza em nossa sociedade.

Expostas a esta facilidade, as pessoas bonitas não tem necessidade de desenvolverem tanta inteligência e isso é natural do ser humano. Se você faz um curso de inglês, mas não pratica, logo seu cérebro vai descartar aquele habilidade, sobrando o conhecimento básico. É igual com a inteligência dos belos, que não precisam ser usadas e acabam sendo "descartadas". Pelo mesmo motivo também muitas pessoas bonitas não são tão simpáticas. Vamos a outro exemplo prático - eu adoro exemplos porque vemos isso toda hora em nosso dia a dia e é inegável. Imaginem um mulherão pra ninguém botar defeito, vestida para matar. Essa pessoa precisa ser simpática para arrumar companhia sexta-feira à noite? Você realmente acredita que ela precisará pagar para conseguir ingressos para boate? Acha que ela vai voltar de ônibus para casa? Agora imaginem a mesma situação com uma mulher feia, negra e gorda. Alguém vai negar a diferença? Com certeza, se a gordinha conseguir voltar para casa de carro, será pela simpatia, pode crer!

É esse tipo de coisa que acaba com os valores de uma sociedade. Antigamente as pessoas valorizavam, por exemplo em um cantor, o talento. Hoje em dia Hannah Montana não canta porra nenhuma - na minha opinião particular -, mas é loirinha, clarinha e o mais importante: norte-americana. Jonas Brothers   idem. E não é questão da música ser boa ou não, porque ai entra a inteligência dos compositores (feios). Esse tipo de coisa está entre nós e inclusive, nas igrejas, dentro dos cultos e celebrações religiosas. Ou alguém vai negar isso também? Acho que a beleza já está tão supervalorizada que acaba justificando métodos torturantes de alteração da aparência. Justificando pessoas que morrem por overdose de remédios para emagrecimento. Justificando jovens enfermos por fazerem utilização de hormônio para cavalo como forma de ganho de massa muscula. 

Por: Um Lugar Escuro

CONTATO: umlugarescuro@gmail.com
 

05/08/2011

Ó beleza! Onde está tua verdade? (Shakespeare)



Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, disse o Senhor a Samuel (16:7). Não, não estou pregando a palavra de Deus, mas não posso deixar de me lembrar de frases como estas vivendo numa sociedade como a que vivo. O Brasil é o país dos corpos perfeitos, quando não dourados das praias nordestinas, alvacento das terras do Sul. Enquanto em países como Europa, por exemplo, as pessoas parecem se focarem mais na própria roupa ao se vestir, no Brasil o foco está no corpo quando escolhemos nossas roupas antes de sair. Aqui a beleza é supervalorizada e não se trata de uma questão de opinião particular. A revista Time exibiu esse fato numa capa que expos a Carla Peres com o título: “The plastic surgery craze: latin americanan women are sculping their bodies as never before”

Toda essa idolatria a beleza me incomoda, e não serei hipócrita de dizer que é unicamente por uma questão moral, porque a beleza é passageira e deveríamos nos firmar sobre qualidades infindas. Não, o culto ao belo me incomoda porque eu não estou no topo, porque eu não faço parte desse grupo de pessoas lindas e maravilhosas, os(as) tais gostosões(onas). É claro, se eu fosse lindo, seria muito conveniente para mim, dizer que a beleza é fundamental. Como dizem, inclusive, os lindos (ou ao menos os que se acham). Outro dia li no facebook um debate sobre a importância da beleza e o que reparei foi que, as pessoas mais feinhas diziam que a beleza interior é o que conta, enquanto as mais coquetes não conseguiam deixar de julgar essencial a beleza.

Se essa beleza é realmente tão indispensável, então como ficam os gordinhos, os magérrimos, anões, afro-brasileiros, os deficientes físicos? Porque nós não podemos nos achar bonitos também? Quando faço esta pergunta, não espero ouvir respostas como: devemos nos valorizar, ter amor-próprio, estar satisfeitos nós mesmos. Isso não cola. A verdade é que a beleza é quem manda e se você está fora dela, está em desvantagem. Isso é o que me incomoda, é por isso que estou farto dessa reverencia social ao que é belo. Entendo que seja natural do ser humano ter atração pelo o que é bonito, é obvio. Mas isso não justifica o fato de colocarmos essa beleza à frente de tudo. E pomos a frente de tudo mesmo, até da moral. Quantos casos não se sabem de pessoas que subiram na vida, exclusivamente por terem uma boa aparência? Eu sou inteligente, educado, honesto, talentoso, civilizado e eventualmente até caridoso. Mas isto basta? Não, porque eu não sou bonito.

Não sou eu quem digo, são dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plásticas: os brasileiros se tornaram o 2º povo que mais faz plástica no mundo, perdendo apenas para os norte-americanos. Isso porque cirurgia plástica é cara e o nosso país não é o que podemos chamar de país rico. Imagina se fossemos ricos? Ou pior, se a cirurgia fosse gratuita? Quase 60% das mulheres disseram que fariam cirurgia se fosse gratuita. Por ano são realizados em média 600.000 cirurgias plásticas no Brasil. Há cerca de dois anos, uma pesquisa feita com mais de 3 mil mulheres brasileiras pela empresa Unilever apontava que 63% delas desejam fazer cirurgia plástica (o maior índice mundial da pesquisa). Para confirmar dados: www2.cirurgiaplastica.org.br

Em fim, acho que não preciso dizer tanto, você pode ver se olhar para o lado. Aquela loirinha que passou no seu lugar na entrevista de emprego. O galã de novela sem o mínimo talento roubando o lugar de feios talentosos. As áreas VIPs das boates só ocupadas por beldades. Em fim, vamos ser honestos, os dados e estatísticas mostram apenas de forma quantitativa aquilo que vivenciamos todos os dias. Hoje resolvi postar algo meu, não que o restante não seja. Todos os textos que ponho aqui, são alguns, de outros autores, mas em parte seus pensamentos são também meus. Pois compartilho da mesma ideia.

Mas o que quero dizer é que hoje postarei algo realmente meu, escrito por mim. E o que me fez escrever foi a indignação que sinto em estar vivo. Claro, o simples fato de existir somente não constitui pecado algum, o mal está em existir como sou. Se fosse mais charmoso, mais estilo galã, se tivesse uma condição financeira melhor, se fosse mais extrovertido, soubesse fazer as pessoas rirem, se não tivesse manias tão esquisitas... em fim... se eu não fosse eu, talvez a vida se apresentasse melhor. Espero ler comentários neste post, espero que exponham seus pontos de vista, seus questionamentos, que compartilhem comigo. Para continuar com este blog, preciso da participação de todos.

Ainda não vi ninguém que ame a virtude tanto quanto ama a beleza do corpo. (Confúcio). Vamos lá, digam-me, de que lado você está?

Por: Um Lugar Escuro.

CONTATO: umlugarescuro@gmail.com