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17/08/2011

"Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão."


"Não há nada que esteja só; nada pode estar em completa solidão: o que existe necessita de outro para ser. " (Leopoldo Schfer)


Este post é exatamente para você, que se sente solitário, saber que não está só neste sentir. Estou com você, como estrangeiro no meu próprio país, falando outra língua em minha terra nativa. Como pode ser possível viver na era da tecnologia, onde a internet nos conecta a todo o mundo, estamos tão isolados?

Esta geração está tão solitária que busca conforto em salas de bate-papo, onde pode ser quem não são, falar o que não falariam e sonhar com quem gostaria. Em um mundo tão competitivo, onde tenho que buscar a cada instante a supremacia profissional, familiar, entre amigos e principalmente no sexo. A internet acaba sendo um escape.

Porque eu tenho que ser tão bom de cama? Porque eu tenho que ter um corpo perfeito? Porque tenho que fazer todos os dias o maldito ritual social para me enquadrar numa comunidade discriminativa? Se eu for eu mesmo, será que vão gostar de mim?

Temos tantos papeis a cumprir que acabamos nos perdendo do único e verdadeiro papel que temos, que é sermos nós mesmos. E nesta perda vem a sensação de solidão que acabamos por tentar preencher com drogas, música alta e muito sexo desenfreado. Mas na segunda-feira de manhã, só o que sobra é a mesma solidão de sempre. Aquelas 15 garotas que você pegou na boate não fizeram a diferença...

Uma vez li uma frase da psicoterapeuta Marilena que dizia: “Sem perceber, o ser humano adoeceu no isolamento, mas nem por isso mudou internamente. Continua carente de convívio e de relacionamentos profundos.” E não é que ela tem razão? Não vai bastar relacionamentos superficiais só por causa de um peito bonito ou uma carteira cheia de dinheiro. Não vai bastar um porre no final de semana... precisamos uns dos outros, de relacionamentos, de convívio, de afeto, precisamos ser humanos...

Por: Um Lugar Escuro.
A frase do título e de Vinicius de Morais.

CONTATO: umlugarescuro@gmail.com

06/08/2011

Passaporte social



Hoje vou falar de um assunto que acontece constantemente e que tem mexido comigo. Tenho percebido certa exclusão de minha pessoa, dentro dos meios sociais que frequento. Na faculdade as garotas bonitas só querem amizade entre si. No trabalho os colegas se relacionam conforme grau de popularidade. Mas o que é isso? Nem parece um ambiente profissional, todo mundo disputando beleza. No Facebook é a mesma coisa, no Orkut também, Twitter até cancelei meu perfil. Em fim, não consigo ter o relacionamento que desejo porque minhas opções são restritas, tolhidas por um comportamento social que segue um padrão fútil onde só a beleza importa.

Qual é gente, vocês sabem do que estou falando! Realmente acreditam que aquela garota super estilosa, com um penteado legal, roupa de grife e uma tattoagem no pescoço vai querer ser minha amiga? Teorias dizem que as pessoas tendem a se agruparem de acordo com hábitos semelhantes e gostos. Eu concordo e acredito nesta teoria, mas na prática o que sobra sou eu, um cara a fim de me relacionar com uma porção de gente que não quer se relacionar comigo. E não é por falta de tentativa, tenho sido um sujeito bacana, sociável, mas não tem jeito, se não for a favor da correnteza e se render às leis da beleza, fica excluído. E ai me sobra a amizade dos NERDs, não que eu não goste, são ótimas pessoas. Mas o que me incomoda e não ter a opção de uma loira linda na minha lista de amigos.

Um dia marquei um churrasco aqui em casa, tudo por minha conta, só queria mesmo era fortalecer o social. Mas me pergunta se alguém veio? E não falo só de mulheres, tentei ter relações de amizade masculina, mas muitas das vezes não funcionava, porque quando íamos sair juntos, ou eu estragava o grupo, ou segurava vela. E quando digo estragar, digo porque sou feio. Muitas vezes saí em dupla com um amigo onde ele queria abordar outras garotas, mas perdia a chance, e porque? Porque é assim que acontece: quando dois caras chegam em duas garotas, cada uma vai se interessar por um, correto? Pois é, mas se um deles for feio, nenhum dos dois vai conseguir ganhar garota alguma, porque a garota que se interessou pelo bonito, mesmo interessada não vai deixar sua amiga sozinha batendo papo com um cara feio.

Sei que esta questão é mais masculina, a maioria das garotas talvez tenha experimentado algo parecido, mas não desta maneira. Mas é assim que acontece. É minha gente, a rejeição é poderosa! E por isso acabo deixando de fazer muitas coisas pelo simples medo de ser rejeitado, até por pessoas que não têm nenhuma ligação emocional comigo. Já não vou mais a boates, shoppings ou praias. Esse sentimento de rejeição muitas vezes nos faz pensar que há algo de errado conosco, já que “ninguém nos quer” e é daí que vem tanta dor. Não há nada de errado comigo e sim com a sociedade.

A maioria das pessoas tem em si um sentimento de rejeição reprimido que mal percebem e age buscando aceitação todo o tempo. Mas jurariam que não o fazem. Se você não busca aceitação, então porque se incomodou tanto quando aquela colega disse que você está com uma gordurinha a mais? Ou porque seu namorado não elogiou seu novo corte de cabelo? Eu também faço isso, tento ser aceito em meios sociais, bebo um chopp (que odeio) só pra estar com a galera. Mas nunca parece ser o bastante, é sempre necessário mais e mais... o celular caro da moda, um cabelo legal, um carro, roupas de grife e tudo quanto é tipo de exigência que as leis da beleza impõem. É o passaporte de entrada para uma vida social agitada. Com isso, ou dedico toda minha energia para me manter “em forma” ou me deixo se arrastado para o lado dos rejeitado. E nesse mundo de rejeições, o sujeito acaba ficando maluco e entra em uma escola com uma arma e mata um monte de gente inocente. Daí o pobre coitado, mais inocente ainda é taxado de “monstro”. Ele só queria ser aceito, e quem não quer?

Por: Um Lugar Escuro (Fotografia: Rodrigo Denúbila).